PASSEIO PELA CIDADE DO FUNDÃO
O Fundão é a mais recente cidade do interior beirão. Hoje, e para utilizarmos uma expressão da sua carta de passagem a vila datada de 1747, continua a ser "um lugar grande e de muito bom trato". O local de povoamento mais antigo, aqui se instalou e enraizou, a partir do século XV, uma importante comunidade judaica. Daí que as constantes marcas religiosas hoje observáveis no seu núcleo urbano (capelas, Passos da Paixão, cruzeiros,...) sejam o resultado da necessidade de confirmar geograficamente a religião dominante.
Comece o percurso na Praça do Município. De proporções harmoniosas, nela se destaca o edifício dos Paços do Concelho. Construção setecentista, aqui funcionaram os teares da Real Fábrica dos Lanifícios do Fundão, mandada construir pelo marquês de Pombal. Sofreu obras de remodelação no início do século que lhe aumentaram mais um andar, sem no entanto lhe alterar a traça original. No centro do largo ergue-se o pelourinho associado à elevação do Fundão a vila, em 1747.
Em frente aos Paços do Concelho, do outro lado da praça, tente entrar no edifício do Casino Fundanense, obra de finais do século XIX, realizada por iniciativa particular de um grupo de fundanenses, entre os quais se destacou o Dr. Germano da Cunha, cujo busto se encontra colocado na fachada. Rodeando a Câmara, entre a artéria principal do fundão, larga e buliçosa avenida, sombreada de tílias, e siga até ao Largo de Santo António. Aí encontrará a capela sob a invocação desse santo. Atente no pormenor, que constitui uma dominante nos pequenos templos do fundão: a manutenção dos alpendres que antecedem a sua entrada principal.
Depois suba em direcção à parte antiga e encontrará, poucos metros adiante, no Largo do Eiró, o Chafariz dos Golfinhos. Siga pela Rua Dr. Germano da Cunha. Aqui poderá observar lado a lado antigas construções quinhentistas com os seus portados decorados, e elementos arquitectónicos tradicionais do passado serrano com as suas varandas de madeira, num conjunto envolto por becos e pequenos largos, arcos e passadiços, que nos remete para quotidianos e ritmos de vizinhança de outros tempos.
Ao passar pela Rua Jornal do Fundão tente visitar o arquivo deste semanário, onde encontrará a memória regional dos últimos 50 anos, a par de importantes colaborações nacionais e internacionais do mundo das artes e das letras, num fio condutor que sempre se pautou pela defesa da liberdade de expressão e dos interesses desta região interior. Siga em direcção à Praça Velha, zona de pequeno comércio, ladeada por uma casa apalaçada brasonada.
Tempo agora de visitar o Museu Municipal, situado na Rua Agostinho Fevereiro. Das suas colecções, a de arqueologia é a mais interessante, principalmente a de epigrafia romana, com aras de divindades indígenas e um importante marco que delimitava a fronteira entre os Igaeditani e os Lancienes, povos pré-romanos que habitavam esta área da Península.
No Largo Alfredo da Cunha, domina a Igreja Matriz. Reconstrução do século XVIII, sob um templo anterior, possui uma fachada barroca ladeada por duas torres sineiras. O portal é encimado por um nicho com a estátua do orago: S. Martinho. No seu interior, destaque para a capela-mor, de tecto apainelado ostentando pinturas religiosas, nela avulta o altar.
|